aboreira scriptorium

É pretensão deste espaço, ser um depósito de ideias, tónica de pensamentos do seu autor, sobre a actualidade em geral e com especial incidência em várias Culturas, no Turismo, no Património e na Gastronomia, em Vila Nova de Poiares, na Região das Beiras/ Portugal e no Mundo. Pedro Carvalho Santos, pensou-o ... e o fez ...

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Localização: Vila Nova de Poiares, Coimbra, Portugal

Existo - creio no meu Deus.

Quarta-feira, Abril 06, 2011

Pensamos e escrevemos

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos
de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de
dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz
de sacudir as moscas...”
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896



Pensamentos Escritos.


“A Felicidade é algo inexplicável. Já encontrei feliz o mais infeliz dos seres Humanos! A felicidade de cada um só pode ser então um mistério Divino.”

“Dizer que não se tem nada, é apenas uma constatação do que se tem e do que se queria ter. Há também aqueles que nada tem efetivamente, nada de nada, ... e por vezes perante essa dor de miséria, tem ainda um sorriso e brilho nos olhos!”

“Muito se fala agora de crise e fosso social na Europa e nomeadamente em Portugal. Fazem-no porque exigem e exigem sempre mais, porque tem e não querem perder.
Existem locais no mundo onde esses fosso social sempre existiu e a crise é permanente. Concluí-se que se pede porque já se tem, querendo desenfreadamente cada vez mais e mais, a evolução tem destas coisas!”

“Em Ambientes Cosmopolitas, temos obrigatoriamente que ver outras “paletas” de cor. Estar voltado a Oriente também nos faz pensar em histórias de mil e uma noite, histórias das Arábias, de Culturas Milenares; Muçulmanos, Indianos, Chineses, Japoneses e outros que durante séculos alimentaram o imaginário Ocidental.
A vida de um ser Humano é preenchida e construída de experiências enriquecedoras, que valem pelo que valem, mas que fazem seguramente cada Ser Humano aumentar o seu conhecimento, para posteriormente melhor se servir dele. Há experiências na vida que valem por si só o esforço e a perigosidade. Por vezes é preciso desprendermo-nos de ruas e avenidas, preenchidas de “gente” pobre e miserável, sujidade e outros desencantos que nos podem atraiçoar a analise. A construção do Ser Humano deve fazer-se de tudo o que o rodeia, sob pena de não ver/ ou não querer ver o mundo real que nos rodeia. Só assim poderemos passar a um estado de verdadeira experiência capaz da tal condição de Humanismo e de Conhecimento, motor de Evolução do próprio Ser Humano.
Esta pequena passagem na vida será assim um teste que Deus nos faz e que nos permite porventura atingir a verdadeira vida eterna.”

Sábado, Março 19, 2011

A Geração dos “Ensanduichados” – conflito geracional!

Eu também sou de uma geração, não Deolinda ou “rasca” mas enganada e à arrasca”- ensanduichada.

Eu sou da geração dos ensanduichados! Sou da geração dos que foram criados na ilusão de uma reforma para toda a vida, de um emprego estável e de progresso prometedor, de uma casa a pagar ao banco com a filosofia de um dia ser nossa, esquecendo a falta de mobilidade que isso acarreta. Eu sou da geração dos filhos de um 25 de Abril que por acaso até é de ’74, que apesar das grandes bandeiras da democracia já deu para verificar que da forma que foi concebido, ter sido o passo mais mal dado de toda a nossa Historia, comparável a um tal Sebastião que ainda andamos à procura e que nos fez perder a independência. Também nós teremos muito que procurar e trabalhar para corrigir as últimas quatro décadas, as asneiras, a “burla”, o conflito e mazelas geracionais que ficarão. Se estávamos no bom caminho, que duvido, estamos a criar os tais “Deolindas” que “marcados” e também enganados, serão uma geração de frustrados, de enganados com falsas esperanças de promessas que antes de o serem já o eram, … falsas e enganadoras. Hoje em Portugal, apenas as elites dominantes económico-politicas estarão bem. Essas dificilmente concordarão com a critica, pudera, … ! Mas se a geração de traz prometeu, a da frente, irá ser educada de forma a não ter. Esses, a geração dos filhos, apenas saberão que os avós tiveram. Os pais pagarão e caso o consigam, estes herdarão.
A minha geração encontra-se quiçá aflitivamente arrasca, por mil e uma maneiras. Claro que também será por ter calculado mal a vida, mas, … se somos a geração que saiu do tal Abril, da tal Democracia, da justiça social, do direito a um emprego e progressão de carreiras para toda a vida, por uma boa segurança social, por uma reforma justa aos 36 ou 40 anos de trabalho. Nós fomos enganados e se calculamos mal a vida é porque fomos induzidos em erros sucessivos de políticas enganadoras de país rico que não somos nem nunca fomos. Portugal é bonito, equilibrado, dava para viver bem, mas não é um país rico, antes um rico país, calmo para trabalhar, trabalhar muito e ter a tal produtividade.
Acontece não sei bem porquê, foi este mal gerido, mal administrado nestas últimas décadas. Resultado? Um país que não produz, que não tem recursos, vende a tal divida que se diz soberana, tem politicas de Estado rico, à grande e à Americana (apesar destes também venderem a tal divida que se diz soberana à China, quiçá esta sim realmente soberana) isto para criarmos uma classe pobre e endividada coisa de terceiro mundo, que já não estávamos habituados. Assim tenho que pensar que Chavões de Democracia e 25 de Abril, só mesmo de quem se safou, de quem se está a safar e de quem se vai safar!
Encontro nos noticiários que vejo todos os dias agora que estou a mais de 10.000 km de Portugal, personagens que bem conheço que possivelmente nunca geriram nada de seu, que nunca servirão de bons modelos aos jovens, que possuem ideias repetidas que já ninguém acredita, mas que continuam a tentar fazer passar mensagens obsoletas que lhes servem os seus intuitos. Usam a influência que ainda teem para conseguirem tudo o que lhes apetece deixando o mundo caótico e com problemas para os outros, … desde que o “seu queijo” continue na mesma! Admiram-se que cada vez mais cada um queira ir com a sua própria coragem à procura também do seu “queijo”, do seu caminho. Parafraseando Goethe este dizia que “quando não se sabe para onde se vai, nunca se vai muito longe”. Se calhar os nossos políticos andam assim, se calhar o nosso povo anda assim, este como um joguete na mão de alguns …!
Não será nos próximos 10 anos que se endireita Portugal e serão precisas algumas gerações para que se crie a estabilidade e sustentabilidade que Portugal necessita.
e assim, … a malta continua enrascada e ensanduichada, alimentando uma elite desgovernada que causa vergonha nacional para quem nasceu Luso esteja dentro ou fora desse que poderia ser um jardim atlântico de harmonia e paz social, … !

Quinta-feira, Março 10, 2011

Memórias e Identidades!

Julgo que ao sentirmos um povoado, uma localidade, Vila, Cidade, temos sempre a tentação de escrever sobre o que nos representa essa unidade viva que são as suas Identidades; próprias, ... defenidas, únicas! Nenhuma terra é igual a outra por mais semelhanças que possa apresentar. Quem gosta, quem estuda esses fenomenos, nunca fica indiferente a esses aspectos mesmo que mude de terra, de lugar, de região, de país e até mesmo de continente. Os estudos locais e regionais/provinciais, estão sempre patentes e despertarão curiosidade num Historiador Local e Regional. É como se um "bichinho" interior estivesse sempre a querer interpretar e a analisar o que os sentidos lhe transmitem. Também ele se encontra próximo das populações do seu modus vivendi, dos seus habitantes de quem os gere, das suas Memórias e Identidades.

Quarta-feira, Março 09, 2011

Quando olhamos para trás e começamos algo de novo que nos levará para a frente!

“Escrevo porque sinto, por vezes quando não amordaçado, também escrevo o que sinto!”

“Para mim o Centro (de Portugal) é do Douro ao Tejo, não sei bem porquê, só lhe tiro o Ribatejo. Sou Beirão e sempre o serei, da Montanha ao Oceano, arando Serras e Montes assim como “domando” o mar que tem cor de prata.”

“Onde quer que estejamos criamos memórias culturais, só temos que definir para nós o que entendemos por Cultura!”

“Sempre entendi que a vida só tem sentido se for vivida com experiencias enriquecedoras, Humanas e cosmopolitas. Assim um dia mais tarde verificaremos que iremos descansar de consciência tranquila por ter feito o que estava ao nosso alcance. Teremos paz!”

“O maior inimigo de uma Comunidade em qualquer lugar do mundo é a inveja, a intriga, a ganância e a falta de respeito pelas ideias do outro. O ressabiamento e o individualismo infelizmente propaga-se por todo o mundo – deve ser contrariado!”

“África foi feita para ser sentida e só é sentida por quem verdadeiramente sente. África provoca um chamamento como uma Mãe, … a uns mais, … a outros menos. A Humanidade terá nascido aqui, parece que não há grandes dúvidas, … coisas que se sentem! Os elementos naturais corroboram. As cores (vermelha, laranja, amarela/ lindas), o Sol, o cheiro da Terra quente, a chuva, o nascer, o fecundo, o brotar, criam uma simbiose e envolvente difícil de explicar mas muito fácil de sentir.”

Pedro Carvalho Santos
(5 de Março de 2011)

Quarta-feira, Novembro 03, 2010

Notas e contributos para a História de Vila Nova de Poiares

Sempre que possa e saiba parece meu dever enquanto Poiarense com várias gerações neste concelho, que contribua com o conhecimento que possuo no âmbito da História Local.
Aliás disso é feito a História de uma terra, de uma freguesia, concelho ou país. Por e-mail tenho esclarecido todos os que de uma forma ou outra me vão questionando sobre Vila Nova de Poiares ou a Região das Beiras.
Vem a propósito uma situação que me costumam colocar e convém esclarecer:
É meu entendimento que o Concelho de Poiares (Santo André de Poyares) nasceu em 1836, Decreto de Dezembro, tendo a primeira Reunião de Câmara acontecido em 15 de Fevereiro de 1837. A data de 1898 é a data da última restauração do Concelho, data em que se comemora o Feriado Municipal (13 de Janeiro).
É assim e a meu ver a Câmara Municipal a mais antiga instituição do concelho. Como exemplo, diga-se que mesmo na possibilidade das Confrarias Religiosas provirem de antes da fundação do concelho acabaram no entanto por extinguirem-se (como a Confraria do Santíssimo da Paróquia de Santo André de Poiares ), tendo inclusive dado lugar posteriormente à Irmandade de Nossa senhora das Necessidades (finais do século XIX).
A 8 de Setembro de 1874, 38 anos depois da fundação do concelho, cerca de 20 anos depois do Suprimento (Redução) do concelho, cerca de10 anos depois da construção do Edifício do “Palacete Municipal” em 1865, é fundada a primeira colectividade que chegou até nós apelidada de Filarmónica Fraternidade Poiarense.
Considero por isso que a mais antiga Instituição do concelho que chegou até nós é a Câmara Municipal e a mais antiga Colectividade a Filarmónica. Faz-se assim uma separação entre Instituição e Colectividade, porque se assim não fosse poderia estar a eliminar-se (como alguns tendem a fazer) o período mais antigo da história inicial da própria Câmara Municipal.

Quinta-feira, Setembro 30, 2010

Pensamento

“O sucesso consiste em ir de derrota em derrota sem perder o entusiasmo.”
Winston Churchill

Comemorar 100 anos da República! ... de quê, porquê?

As razões que levaram a mudar de regime à 100 anos são as mesmas que hoje podiam levar a mudar para uma Monarquia, não?

Descontentamento, fome, divida pública, desequilibro de contas externas, classe política fraca, privilegiados e Zé Povo, enfim de tudo um pouco.

Não foram estas mesmas causas que levaram à 100 anos a mudar o Regime?
E que eu saiba, nessa altura, não se devia “por dia” o que se deve hoje ao exterior!

1.ª Republica – Uma "balda", uma vergonha!

Ditadura – Vergonha reconhecida!

Pós 25 de Abril de ’74 – O que fizeram a este país?

Comemorar O Quê? "mais de meio século de ditaduras"

No actual contexto, na semana que vem, será preciso ter muita coragem (ou não), para que os nossos políticos comemorem o que quer que seja neste Centenário da República. Comemorar só os que sejam de uma classe privilegiada ou que não sintam o que o Zé Povo sente todos os dias com "a barriga a dar horas".

"Povo que não sabe nem se deixa governar."

Quarta-feira, Setembro 22, 2010

Incómodo

As palavras verdadeiras
não são agradáveis
e as agradáveis
não são verdadeiras.

(Lao-Tsé)