aboreira scriptorium

É pretensão deste espaço, ser um depósito de ideias, tónica de pensamentos do seu autor, sobre a actualidade em geral e com especial incidência em várias Culturas, no Turismo, no Património e na Gastronomia, em Vila Nova de Poiares, na Região das Beiras/ Portugal e no Mundo. Pedro Carvalho Santos, pensou-o ... e o fez ...

A minha foto
Nome:
Localização: Vila Nova de Poiares, Coimbra, Portugal

Existo - creio no meu Deus.

segunda-feira, julho 16, 2018

e eu, e eu e eu!

Começo pessoas que vivem de Títulos! Quais?
Os que mais lhes convém.

segunda-feira, junho 11, 2018

10 de Junho 2018, ... em jeito de resposta, por Portugal



Virá um dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência de alguns partidos de esquerda e seus dirigentes, como atentados à História e Soberania de Portugal, a nossa implantação da Republica imposta e não escolhida pelos portugueses. Virá o dia em que se possa realizar um referendo justo sobre o sistema que se quer para Portugal e para os Portugueses, Republica ou Monarquia. Também virá o tempo em que não se roube o povo português em detrimento de alguns, poucos portugueses, a responsabilidade de chamar á Justiça os prevaricadores, de não discutir cães no restaurante e velhos de eutanásias. Acredito que virá um dia em que se olhe a História Orgulhosa do nosso Portugal ao seu tempo e não fora dele, para populismos e demagogias preservando a nossa Identidade e Memória não deitando farpas e desconsiderações que ofendem o povo Português.  Até podia ser num 10 de Junho, mas ainda não foi ontem.

segunda-feira, junho 04, 2018

Pensamento do autor neste dia


Conheço muita gente que não vive, com a obcecação de ver os outros caírem ou se lixarem! Mas por vezes este pensamento "pequeno" corre mal, pois nem os outros caem ou se lixam e eles perdem uma vida, deixando de viver e de ver a beleza e a nobreza da vida! A inveja e a ganância, as forças do mal e a negatividade tem destas coisas! 

terça-feira, maio 15, 2018

Contando Lendas - Almeida



Corria o ano de 2003 quando criamos "Lenda da Chanfana", com os referidos nomes de personagens, lugares do concelho, enquadramento histórico e outros Saberes, foi-me pedido por quem na altura esteve envolvido neste processo, se não conseguiria fazer uma Lenda para Almeida afim de ser presente a esse Município. Não sei se alguma vez chegou a ser presente ao Município de Almeida, mas nós fizemos esses textos à semelhança do que tínhamos feito para Vila Nova de Poiares sobre a Lenda da Chanfana. É essa Lenda que hoje vos trazemos, pois não teria sentido ficar no nosso Arquivo ao fim de 15 anos.

Estrutura Geral

Titulo proposto: “Histórias e Lendas de Almeida”

(Cerca de 5 Páginas de Texto)

Altura Temporal: Finais do Século XIX.
Publico alvo: Crianças e Jovens (mais os adultos)
Previsão de conteúdos para cerca de 36 a 40 Páginas de BD
Criação de 3 Cx de Diálogo

Personagens Fictícias:

Na Fortificação (História)

João (que está junto à muralha/ fala sobre a História da Fortaleza)
Luís (que vai à Botica do Senhor Gastão)
Maria (que vai à Feira falar com o Augusto)

Feira (Tradições)

Augusto (negociante de gado)
Manuel (marido da Maria)
José (que quer 2 borregos para a Páscoa)

Lenda de Nossa Senhora das Neves (Lenda)

Joaquim (ajuda no diálogo)
Cacilda (ajuda no diálogo)
Adelino (ajuda no diálogo)
Marta (ajuda no diálogo)
Mateus (ajuda no diálogo)
“Gaiato” (interpela a Maria das Dores)
Maria das Dores (Anciã que narra a Lenda de Nossa Senhora das Neves)

Observações (Baseado na História de Almeida):
- Cunha, Telmo Gastão de Jesus, Almeida, estrela de memórias, Associação dos amigos de Almeida, Marques & Pereira, Lda, Guarda, 1999.
- Fortaleza de Almeida. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-10-19].

Inicio

 (Narração inicial junto à Muralha)
“Ti João”, sentado num tronco de árvore, observava as Muralhas de pedra que tinham atravessado os séculos e pensava muito cismado!
(balão de pensamento)
Muitos séculos se passaram desde que o Castelo primitivo de Almeida foi construído. Ideia antiga, obra de árabes, “moiros”, pois, ... desses sarracenos do Sul.
(caixa narrativa)
A Fortaleza Raiana de Almeida foi conquistada em 1039 pelo exército de Fernando Magno. Mas muitos disputaram este ponto estratégico - Leoneses, Portugueses e outros povos.
(inicio do diálogo)
- Então “Ti João”? Bom dia! - perguntou a “Ti Maria”, que ao passar, se chegava junto dele. (levava um fardo de palha à cabeça) - A pensar na “morte da Bezerra”?
- Não “Ti Maria”, estava aqui a pensar em muitas coisas, num turbilhão de pensamentos! De tudo um pouco. De quando estas pedras foram aprumadas, da vitória do Senhor Paio Guterres, ... sabe? O Almeidão, e de quando o nosso El – Rei D. Dinis, aquele que chamaram de  Lavrador, nos assegurou a nossa querida Almeida e as Terras de Riba – Côa. 
- Se sei! – Continuou a “Ti Maria” - Também para mim estas Muralhas fazem parte do meu ser! Sabe umas vezes aqui se ganhou outras se perdeu! Umas vezes Portugal, outras Castela e pronto!
- Então a vós dois muito bom dia – disse o senhor Luís que se aproximava.
- Bom dia! – Disseram em coro o “Ti João e a Ti Maria”.
- Senhor Luís ainda bem que aqui passou – disse a “Ti Maria”.
- Pois olhe ia indo prá Botica do Senhor Gastão – respondeu o senhor Luís – é que não dormi nada por culpa dumas “maleitas” que me atormentaram.
- Pois olhe, falávamos da muralha, de Almeida, de tudo! – disse a “Ti Maria”.
- Pois é..., a nossa terra, ... a nossa casa, onde brincamos e crescemos, a nossa vida!
Sabem? – disse o senhor Luís.

(convém 1 ou 2 balões de pensamento com cenas a ilustrar estes dois acontecimentos/ batalhas/ com os estandartes da vitória)

- Quando estou perto da muralha – continuou o senhor Luís - lembro-me da nossa História, de quando o grande Mestre de Avis tomou esta Fortaleza ao partido de D.ª Beatriz e de Castela na Crise de 1383-85.

- Pois, mas o pior foi há alguns anos! – Falou o “Ti João” caindo-lhe uma lágrima - Quando, esses Franceses, esses do Massena!... nos atingiram como se fossem punhais no nosso coração, ... na nossa gloriosa Almeida!

(Caixa narrativa com as respectivas ilustrações)
Todos se calaram, porque se lembravam dessas explosões que tinham apagado quase tudo o que era Medieval e Quinhentista. A monumentalidade que se vê desse sistema defensivo começou a ser erguida após a Revolução de 1640.

(ilustrar com obras de reconstrução, “estaleiro” de obras, por exemplo, placa com a data de 1641 e o Governador de Beja, Álvaro Abranches com a planta na mão da Fortaleza e no final de setecentos o Conde de Lippe)

- Pois! - disse o “Ti João” - Temos de preservar estas construções e estas memórias. Nos séculos XVII e XVIII, os resultados das batalhas nem sempre foram os melhores para Portugal, tendo havido avanços e recuos!
- Mas a culpa nunca foi das Muralhas, da Fortaleza e das “gentes” de Almeida, mas da indisciplina e da desorganização de certos comandos que vieram – retorquiu o senhor Luís.
- Ora isso é certo – disse a “Ti Maria” – Agora vão-me desculpar mas tenho de ir, porque ainda vou à Feira falar com o “Ti Augusto” das ovelhas.
- Bem, eu também vou indo – disse o senhor Luís – Vou à Botica buscar os meus comprimidos que já devem estar prontos.
- Até mais logo “Ti João” - disseram os dois.

(Ilustração da Feira de Almeida - mostrar tendas e feirantes (finais do século XIX); os vendedores - pequena caracterização com imagens da Feira, produtos; colocar a Muralha em pano de fundo, assim como o antigo Convento mencionado pela Técnica da Autarquia – vislumbrado ao longe)

(Caixa de Texto)
A Feira de Almeida é das mais antigas da nossa nacionalidade, aqui se vendiam inúmeros produtos da terra e da vizinhança. Comerciava-se produtos hortícolas, utensílios de barro, cestos, assim como animais de capoeira, gado e mais bichos vários.

(A “Ti Maria” vai ter com o “Ti Augusto das Ovelhas”)
- Então “Ti Augusto” como vai a saúde? – perguntou a “Ti Maria”.
- “Ti Maria” cá vamos, com a graça de Deus! – respondeu o “Ti Augusto”.
- O Manel tem andado com umas maleitas, mas hoje anda lá p’rás terras com o gado, mas pergunta se lhe compra uns cabritos de leite que lá tem. Que depois p’rá semana vem cá falar consigo! – disse a “Ti Maria”.
- E quantos são? Lá p’ra Oliveira do Hospital, na Beira, têm me pedido cabritos para a Páscoa! – disse o “Ti Augusto”.
- Olhe, o Manel diz que uns (balão de pensamento a contá-los 2 + 2 + 3)... p’ra ai uns 11 cabritos – disse a “Ti Maria”.
(Chega o “Ti Zé”)
- Ó “Ti Maria” bom dia, fale lá com o “Ti Manel” e veja se me arranja dois borregos para a Páscoa, que vem a família da cidade – disse o “Ti Zé”.
- Falarei, e p’rá semana fala com ele, que isso são coisas dele – disse a “Ti Maria”.

(Mostra da Feira, ou algum acrescento à História)

(Ilustrações/ Parte Narrativa do século XIX/ Caixa de Texto)
A Fortaleza de Almeida foi ocupada em 1807 pelo exército francês comandado por Junot. Posteriormente Almeida é libertada, mas em 1810 volta a sofrer novos ataques, Massena comanda a 3.ª Invasão Francesa e bombardeia fortemente a fortaleza a 26 de Agosto. Tiros certeiros atingem no interior um paiol de pólvora, o velho castelo medieval, a Igreja Matriz, assim como parte das casas de Almeida, reduzindo tudo a escombros. Arruinada a fortaleza, a resistência portuguesa quebra e rende-se a Massena.
Meses mais tarde, os franceses retiram-se sem glória de Almeida, deixando um rasto de violência e destruição.
(ilustrações/ imagens de Guerra, em sequência rápida/ cenário junto à Igreja Matriz, sentados em bancos de madeira os figurantes)
(caixa de texto)
“Ti Maria das Dores” era uma anciã com 95 anos e lembrava-se bem desse dia! Tinha nessa altura apenas 10 anitos quando “pareceu que o mundo ia acabar”!
- Ó Jaquim e quando a “Senhora” nos deu uma luz de milagre? – disse a “Ti Maria das Dores”.
- Eu lembro “Ti Maria” – disse o Joaquim (pouco mais novo que ela e agarrado ao cajado) - E aqui o Mateus também, não é Mateus?
- É pois sim senhora, apesar que o meu irmão mais velho, que Deus tenha é que se lembrava bem, até ajudou a fazer a fogueira - disse o Mateus.
A Marta atalhou dizendo.
- Tantas vezes que ouvi a minha “Ti Cacilda” e o “Ti Adelino” contarem essa história. A “Ti Maria das Dores” é que a sabe bem! Conte-nos a História mais uma vez “Ti Maria das Dores” – disse a Marta.
- Tá bem, tá bem! E não me canso de a contar.
(Lenda narrada pela “Ti Maria das Dores”)
- Lembro-me como se fosse hoje! Estava à porta de casa a bordar uns lençóis quando o chão tremeu, o sol apagou-se e um barulho de deixar de ouvir se fez! Só via fumo e muitas explosões ao mesmo tempo, … e também durante muito tempo. Tudo caía! Os homens gritavam, as mulheres andavam dum lado para o outro, erguendo as mãos ao céu!… lembro-me… do medo. Como ficou tudo destruído as pessoas ficaram sem coragem e tristes. Sempre que passavam num sítio estava tudo caído
(ilustrar com ruínas/ ou outras)

- Foram dias e meses de agrura e desconsolo – disse a “Ti Maria das Dores” - Na Primavera seguinte, num dia que não sei precisar ao certo, alguém falou em limpar tudo, começar a queimar o que não prestava numa grande fogueira. O dia estava limpo e muito bonito. O sol brilhava muito nessa manhã Primaveril. Todos estavam a arejar e a limpar tudo, respirava-se ar puro e tranquilidade. Os restos que não prestavam e traziam má recordação foram sendo queimados numa grande fogueira.

- E depois “Ti Maria das Dores” - perguntou um pequeno “gaiato” que ali tinha chegado e ficado a ouvir a história maravilhado.
- Já vou! Já vou! - disse a “Ti Maria das Dores”.
- De repente, (fazer pausa de suspense) … sem ninguém estar à espera… o sol fugiu, veio muito frio e muita neve, gelando tudo e todos, apagando a fogueira por completo, deixando todos sem fala, mudos e incrédulos – disse a “Ti Maria das Dores”.
- O irmão aqui do Mateus é que de repente deu o alerta! – continuou a “Ti Maria das Dores” - No meio das cinzas e borralhos, dos destroços queimados e em fumo, o Mateus viu a imagem de Nossa Senhora que estivera no altar da Igreja Matriz. Quando todos olharam para a imagem, de olhos claros e fixos, a imagem apareceu estar a questionar o porquê daqueles actos, pois o seu lugar era no altar a velar pelos Almeidenses e não naquela fornalha. Com todo o cuidado foi limpa e restaurada para ser colocada novamente no Altar. A Imagem passou a ser uma mensagem de amor e de esperança renovada dos Almeidenses que nunca mais se quiseram separar dela. A Vila de Almeida e os Almeidenses passaram assim a estar intimamente ligados à sua Nossa Senhora que fez nevar num dia de Primavera apelidando-a de Nossa Senhora das Neves.
(Todos bateram palmas e felizes levantaram-se para ir para as suas casas)

(a parte final, voltando ao “Ti João” ao pé da Muralha)
(caixa de texto)
O “Ti João” continuava sentado no tronco de árvore a pensar, a observar, cismado! Observava as muralhas de pedra que o protegiam, que lhe davam conforto, com as quais tinha crescido e sempre vivido! “Ti João” viu passar um rapazinho e uma menina, que brincavam. Passaram-se séculos, muitas crianças por ali passaram, outros viriam em gerações futuras e as Muralhas… estariam lá sempre, fortes e singulares, símbolo e orgulho dos Almeidenses e de Portugal.

Fim

Texto de Pedro Carvalho Santos
 

segunda-feira, maio 14, 2018

Freguesia de Santa Maria






Santa Maria é sede de freguesia. Junto a este local encontra-se o lugar da Arrifana. Designa-se também por Santa Maria da Arrifana. É o lugar do concelho com registos mais antigos vindos desde antes da nacionalidade. Verdadeiro berço das “Terras de Poyares”, é onde possuímos os escassos mais antigos vestígios edificados do passado do concelho. Grande parte da História do Poiares Setecentista passa ou passou por aqui. No interior da Igreja de Santa Maria em “chave”, existe um escudo partido, onde se encontram as armas de Portugal e da Universidade de Coimbra grande senhoria destas “Terras de Poyares”.



“É a Freguesia mais antiga do concelho, do hoje Território que compõe Vila Nova de Poiares. Até 1835 foi a “Cabeça” dos antigos concelhos do Antigo Regime, as 7 Varas destes povoados de Poyares, tinha jurisdições que extravasavam os limites do concelho actual.

No início da Nacionalidade fez parte dos domínios de Santa Cruz de Coimbra passando posteriormente às rendas do Prior-Mor da Universidade. Neste Território que compunham estas “Terras de Poyares” na Idade Moderna, Arrifana foi centro dos domínios da Universidade de Coimbra sua grande donatária. Junto à Igreja em Santa Maria, uma casa de grandes dimensões possuía Celeiro, assim como existiam Juiz Pedâneo. Os Juízes de Fora e Ordinários vinham de Coimbra, que tinha o seu termo nestes povoados. A Igreja de Santa Maria é um ex-libris do concelho, “peça” fundamental no entendimento da História do concelho. No reinado de D. Sancho I, em 1195, a rainha D. Dulce concede foral à Albergaria de Poiares e ao Convento de “Sam Miguel”. A Albergaria de Poiares situava-se neste freguesia, verdadeira encruzilhada de estradas e caminhos.

 
As principais vias de comunicação e estradas também por aqui passavam: Estrada Real, Carvalho e Coimbra, Lorvão e Aveiro, além da grande importância do Porto Fluvial de Louredo. A Ponte “Romana” testemunha essas vivencias de outrora em Zona de Flora autóctone de Sobreiros, Carvalhos e outros Quercus. Desse lugar de Louredo chegavam “barcas serranas” que vinham de inúmeros sítios navegando desde a foz do Mondego, na Figueira da Foz, até, ao porto da Raiva. Sal, cereais, peixe, vegetais, assim como artigos de comercio em geral eram transportados até ao Porto de Louredo, derivando deste para muitos lugares das Beiras.


A Freguesia teve forte componente agrícola desde os séculos XVI e XVII, possuindo várias Quintas e “Casas de Lavradores Abastados”, como a Quinta das Moendas do Prazo ou a Quinta da Ordem ou ainda a Quinta da Beócia.
Ervideira, Casais e Oliveira são hoje aldeias desta freguesia da Arrifana. Terras de Manufaturas e oficinas, nomeadamente artesãos de artefactos de madeira e palitos, essa que foi a grande “indústria dos palitos dos dentes”. Também daqui saiam cestos e artigos em vime. Mobiliário de madeira e artefactos de usos quotidianos como gamelas, peneiras ou outros utilitários.


Nesta antiga Freguesia realizam-se inúmeras festas e romarias. No lugar de Algaça, antiga Jurisdição, é padroeiro Santo António; em Louredo a Nossa Senhora da Paz; no lugar do Sobreiro, São Martinho ou São Sebastião; Soutelo, Nossa Senhora da Piedade, nos Terreiros, Santo António e no Vilar comemoram-se as festas do Espirito Santo.
A freguesia de Santa Maria da Arrifana é limítrofe de Ceira, freguesia do concelho de Coimbra. Divide com este concelho a aldeia do Carvalho, lugar onde existe um monumento alusivo a um grande acidente aéreo. Por esta aldeia passava uma estrada importante vinda de Coimbra, vencendo o rio mondego e esta grande serra.
Santa Maria da Arrifana é assim terra de História e tradição, de rio e serra, de paisagens bucólicas, verdes florestas e matas. As suas aldeias enriquecem todos quantos a queiram visitar.

Casa da Lomba d' Aboreira na Risca Silva em 1 de Maio de 2018.

sexta-feira, março 09, 2018

Ardeu a Casa dos Moinhos - Vila Nova de Poiares



Texto de 15 de Outubro de 2017 publicado no FB. 


Muito foi dito e muito se irá dizer sobre o fatídico dia 15 de outubro de 2017. Existem tantas “histórias” para contar como o número de pessoas intervenientes, já que os animais e as plantas não falam, isso só acontece nas fábulas, pois possivelmente teriam também as suas tristes histórias.

Amigos, estou triste - essa palavra diz tudo. Porque a Revolta, o Ódio, a Inflamação estão a passar. Agora só estou triste.

Não entendo depois das várias experiências que vi ao longo de quase meio século, como é possível com a tecnologia que temos, com o conhecimento e evolução que fomos adquirindo, chegar a um dia como este! Culpa, Culpados? Não entendo, onde está o “Sentido de Estado”, sim como tinham os nossos antepassados do século XIX, “Vencidos da Vida”, os tais Heróis do Mar, a Nação valente, … a Bem da Nação e não a Bem do “Umbigo” e dos Interesses Individuais!

Um fogo que lavra em todas as frentes, um aparelho ineficaz, um Governo desgovernado, uma falta de firmeza atroz nas decisões. Amigos, é para isso que a História serve, para aprender com os erros passados, corrigir e evoluir enquanto espécie. Perdemos a garra de um Vasco da Gama, do Sebastião José, do António Oliveira? Ideais como os de um Humberto Delgado ou do Salgado Zenha? Enfim, estamos a perder convicções e certezas para um laxismo, incompetência e incapacidade.

Quando aparecem Nacionalismos e movimentos extremistas ficamos alarmados e chamamos de populismo. Talvez não! Amigos, isso acontece porque o povo deixa de confiar nos Governantes, deixa de acreditar em quem promete mas não faz, … e quem não faz e não deixa fazer deve ser destituído, ou seja, deve abrir estrada a quem seja capaz. No domingo pelas 13 horas e muito antes de tudo começar a “aquecer” eu previa já uma “Vergonha Nacional”, pois a Nação está entregue a gente incapaz e incompetente. Infelizmente isso veio a acontecer.

Perdeu-se o pinhal que foi dado a conhecer a todos nós na escola primária, “o pinhal que D. Dinis mandou plantar”, o pinhal do Rei! Soa a um orgulho, … do Rei! O Rei manda, decide, é capaz, protege, … como nos Forais, protege o seu povo. Amigos, hoje este País protege nada, não há sentido de Estado, não há sentido Nacional, agregado a uma falta de Cultura exagerada. Existem ícones que nos fazem sentir alguém. De onde vim, para onde vou? A História, o orgulho de ser Patriota! Existe em mim um medo exacerbado de que não se enteda que defender o “Pinhal do Rei” é como defender o Mosteiro dos Jerónimos, é defender a nossa Identidade. Existem “coisas” que são o cerne de todos nós, que se devem erguer bem acima dos interesses económicos. Repare-se quando tudo falha na economia, nas finanças, quando existem guerras e privações, está lá a Historia para confortar, para aliviar a dor. O Orgulho Nacional. Não o sinto isso neste momento, sinto sim um vazio e escuridão.

Em Vila Nova de Poiares, que tenho como uma parte de mim, nos anos 80 vi arder um Arquivo importante para a história deste concelho. Um enorme fogo ardia em Vila Chã. Nessa altura perguntei aos meus pais o que se passava. Ardia a enorme Casa dos Ferrões, depósito de informação e verdadeira História do Concelho. Se não o entendi na altura, passados anos percebi o que se tinha perdido naquela hora.

Mas havia uma salvação. Havia uma escapatória. Existia a Grande Casa dos Moinhos! É difícil descrever o seu papel na História de Poiares. É paralela ao próprio concelho. Indústria, Lagares de Cera, de Azeite, Alambiques, Serração, Cerâmica, Comércio em Poiares, na Região, no País e para as Ex- Colonias. De um trato e requinte fabuloso, com Charretes, o Glamour da Belle Epoque, com a fineza das Talhas das suas Capelas, com as caixas dos chapéus de Senhora, com as histórias da “Menina de Ouro”. O meu amigo Manuel dizia-me: “um pedaço de um passado faustoso”. Pois… nunca mais será como dantes. Tenho conhecimento de um escritório no edifício que tinha parado no tempo, ao entrar nele andava-se 100 anos para trás. Era o depósito da História de Poiares. Particular claro, mas nosso! Poiares e as Terras de Poyares, não tiveram Duque ou Conde, fruto de várias vicissitudes da História e da proximidade a Coimbra. Poiares teve no entanto uma família Burguesa, que influiu na Universidade de Coimbra, na Política Nacional Local e Regional. Aqui nestes Territórios ajudou a criar o nosso Concelho. Quando Poiares foi extinto em 1895 e Restaurado em 1898 (a 13 de janeiro) era Presidente da Câmara José Maria Henriques Simões. Amigos entendam, a Casa dos Moinhos, património privado, que segundo me apercebi estava sofrer obras de restauro, não podia arder. Não podia perder-se. Existiam mais memórias reais do concelho naquela Casa do que no próprio edifício da Câmara Municipal. Aquele edifício não era uma casa devoluta, que como tal não era prioritária, deveria ter sido defendida com “unhas e dentes”, era um imperativo concelhio. Todas as percas são únicas, todos sofremos e continuamos a sofrer, também eu perdi com este flagelo. Mas a Casa dos Moinhos era ÚNICA. Fiquei desolado quando no final de um dia de desgraças e de combate ao fogo, já de noite, me disseram: a Casa dos Moinhos ardeu. Perguntei qual parte? Resposta, toda. Procurei forças para ir até lá e só acreditei quando vi. Da história local de Poiares, já por si paupérrima e muito pobre em vestígios físicos, este era um repositório das nossas Tradições e da nossa Memória Coletiva. Perdemos os mesmos 80% de Identidade Poiarense como o país perdeu 80% do Pinhal do Rei. Assim, infelizmente, este tipo de políticas tornam-se ineficientes, insensíveis e aí, começamos realmente a pedir um Rei que nos Governe.  
Pedro Santos     

Freguesia de Poiares – Santo André



Freguesia de Poiares – Santo André

Em 1836 quando nasceu o concelho, hoje de Vila Nova de Poiares, era designado: Santo André de Poiares, Santo André era o nome da Freguesia, sede deste recente concelho.

A Vila de Poiares Santo André é sede desta freguesia e sede do concelho de Vila Nova de Poiares e tem por orago, como próprio nome topónimo o indica, Santo André.

O povoado de Santo André embora antigo é de recente fundação. Conta a nossa História que terá sido por volta de 1640 que um padre cansado do barulho da feira junto à Igreja de Santa Maria da Arrifana terá expulsado os feirantes daquele lugar, tendo estes vindo a instalarem-se em Santo André de Poiares.

No entanto o desenvolvimento e povoamento do local por onde cresceu Poiares Santo André são atribuídos ao Mosteiro de Lorvão, dados os territórios que aqui tinha como grande Donatário desta Região. Algumas referências documentais apontam para uma Albergaria de Poiares como possível início da povoação. Esta albergaria  é mencionada em vários documentos entre os quais uma doação de D. Afonso III relativa à Igreja de Óbidos, datada de 1264.

Os povoados das Freguesias de Santa Maria da Arrifana e São Miguel de Poiares são mais antigos remontando ao início da nossa nacionalidade como o atesta o Foral de D. Dulce em 1195. Será por isso que nos surgem Casas de Cariz Religioso; na Abraveia, Povoa da Abraveia, São Miguel, Venda Nova, Couchel e em várias aldeias do hoje concelho, mas não na sede, Vila do concelho. As estradas principais e vias não passavam no meio da Vila como no século XX se passou a verificar, mas antes nos traçados seculares que provinham do Carvalho e Louredo (porto fluvial), assim como Forcado, Vale de Vaide, Olho Marinho, Mucela, Sabouga e outras periferias como até Friúmes. As estradas foram tendo convergência para a Vila sede de concelho, nessa mesma altura que começou a "desenhar-se a atual Cabeça do Concelho" - 1836.  

Poiares Santo André é hoje a maior Freguesia em população do Concelho, onde se encontram os Paços Municipais iniciados em 1866 e Ocupado nas decadas de '70 de Oitocentos. Também aqui se localizam os grandes espaços públicos: o Jardim Municipal, construído em 1957 em frente aos Paços do Concelho; o Jardim de Santo André no centro da Vila de Poiares e o Jardim aos Poiarenses construído em 2009, jardim exótico e moderno que conta com um bonito monumento, numa fonte, dedicado às artes e manufacturas das antigas profissões concelhias.

Na sede do concelho encontram-se os Serviços Administrativos mais importantes: Agrupamento de Escolas, Bancos; Finanças; Notário; Proteção Civil e Bombeiros; Correios; Terminal Rodoviário; Infraestruturas desportivas (Estádio e Campos de Futebol) e culturais como o CCP (Centro Cultural de Poiares), assim como a maior parte do Comercio e Serviços.

É nesta Freguesia que se encontra o Templo de Nossa Senhora das Necessidades com a Capela benzida em 1909, substituindo uma capela de menores dimensões muito mais antiga. Aqui no “Arraial”, grande espaço de arvoredo realiza-se todos os anos a Festa à sua Padroeira no segundo Domingo de Agosto.

Ao nível do Património Humano, era oriundo desta Freguesia o Insigne Prof. Doutor Daniel de Matos, nascido em 1850. Licenciado em Medicina, Reitor e Lente da Universidade de Coimbra, publicou inúmeras obras de referencia, traduzidas para outras línguas, foi médico de nomes como, a Rainha D. Maria Pia, Dr. Afonso Costa, Dr. António José de Almeida, Brito Camacho e tantos outros.

Em 1858 nascia na Aldeia Nova o General João Pedroso de Lima. Comandou várias divisões do Exército e da Guarda Nacional Republicana, tendo sido Ministro da Guerra e do Interior.

Nascido em 1874, o Dr. José Maria Dias Ferrão, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Com inúmeras obras Jurídicas e Monográficas, é autor da primeira monografia do Concelho.

Lugares e aldeias da Freguesia são inúmeras e podemos destacar, a aldeia das Ribas no limite do concelho com Miranda do Corvo, a aldeia do Forcado no limite do Concelho com Serpins; a aldeia de Framilo limite do concelho com Foz de Arouçe e Casal de Ermio. Entroncamento de Poiares onde se cruzam as estradas nacional n.º 2 e nacional n.º 17, Risca Silva aldeia de comerciantes, aldeia de Couchel ou Abraveia são alguns dos lugares característicos desta Freguesia.

Pedro Santos – 8 de Janeiro de 2018

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Capela de Santo António em São Miguel de Poiares


A Capela de Santo António, é um monumento particular, pertença da ADIP – Associação de Desenvolvimento Integrado de Poiares e situa-se na Freguesia de São Miguel de Poiares, concelho de Vila Nova de Poiares, Distrito de Coimbra.

Localiza-se bem no meio da povoação de São Miguel servida pela conhecida Estrada da Beira, a Estrada Nacional (E.N.) n.º 17.

Foi construída a pedido de Monsenhor Daniel Ferreira de “Mattos”, antepassado da família do Doutor Daniel de Matos, ilustre Poiarense, Médico, Reitor da Universidade de Coimbra grande Figura de Relevo Nacional.

Este importante monumento de caracter concelhio e regional possui linhas setecentistas finais apesar de ter sido construído no século XIX.

É uma obra singular e de grandes dimensões para uma capela particular, onde na sua construção se “aplicaram” a pedra vermelha, um notável grés vermelho da Serra de Alveite deste concelho, que lhe confere um aspecto peculiar e único realçando o excelente trabalho em cantaria, todo realizado em pedra da região, aplicado sistematicamente neste edifício em todos os elementos arquitectónicos.

Interiormente possui três altares, dois colaterais e um Altar – Mor. Todos estes altares encontram-se em madeira por policromar, o que também lhe confere individualidade. O Altar – Mor possui um arco central, abrindo em trono. A Capela de Santo António é uma referência no universo do Património Edificado do Concelho de Vila Nova de Poiares.    

Casa da Lomba d’ Aboreira em Dezembro de 2017 – Pedro Santos